Perdão, Juba!

          Ontem soube que o leão Juba se foi...

          Essa história tocou profundamente meu coração, e me emocionei ao saber que ele havia falecido, muito doente, sem poder mais sequer andar, se levantar ou mesmo se alimentar.

          Juba foi um leão terrivelmente maltratado em vida. O circo onde ele vivia e era constantemente judiado foi desativado, e ele e mais duas leoas foram deixados para trás.

          As leoas, no entanto, foram logo adotadas por dois zoos, mas Juba foi considerado "fora dos padrões" e, portanto, não foi aceito por nenhum zoológico ou instituição.

          Juba era considerado feio, sem atrativos e, por esse exato motivo, foi descartado. Ninguém, no entanto, foi capaz de levar em consideração que aquele animal estava naquelas condições deploráveis justamente porque foi alvo da perversidade de quem deveria cuidar dele.

          Quando vi a reportagem sobre Juba ano passado fiquei com o coração aos pedaços, vendo um animal tão sofrido. Ele estava absurdamente magro, com as costelas à mostra, a pele muito machucada, apresentava manchas e marcas espalhadas pelo corpo todo e vários dentes haviam sido arrancados.

          Juba tinha uma aura de dor, andava lentamente, cambaleante, e com a cabeça sempre baixa, numa postura de submissão. O que mais me impressionou foi o olhar de Juba, que parecia ser um misto de medo, desconfiança e sofrimento.

          Não pude conter as lágrimas ao ver aquela reportagem.

          Fiquei olhando a tv, em silêncio, e me perguntando como alguns seres que se consideram humanos podem fazer tamanha maldade?

          Como puderam submeter aquele animal a tamanho sofrimento e dor?

          Juba carregou as marcas do que a crueldade humana é capaz de fazer, e nos últimos tempos não conseguia mais sequer engolir água ou alimentos. Juba era cego de um olho, uma das muitas sequelas deixadas após ser submetido a anos e anos de maus tratos.

          Ontem li a matéria sobre sua morte, e mais um nó se formou em minha garganta. Uma das pessoas que fizeram comentários a respeito da reportagem escreveu apenas: "Perdão, Juba. Vergonha", e esta frase curta descreveu bem meu sentimento.

          Sinto vergonha de pessoas que não têm um pingo de compaixão, nem com animais, nem com outros seres humanos. Sinto vergonha por ter visto aquele leão trôpego, doente, sentindo dores, indefeso, vítima da crueldade humana.

          Sinto vergonha por aqueles que perderam ou estão perdendo o senso de humanidade, de compaixão, de respeito.

          Perdão, Juba.

          Deixo aqui minha gratidão e respeito a todas as pessoas que participaram da campanha para ajudar Juba e, principalmente, aos anjos da guarda da ONG Mata Ciliar, de Jundiaí, que finalmente conseguiram resgatar e acolher Juba, proporcionando a ele todos os cuidados necessários, como alimentação, tratamento, dignidade e carinho.

          Quando a gente está prestes a perder a fé na humanidade, surgem pessoas como as da Mata Ciliar, e tudo volta a fazer sentido novamente.

          Que bom que vocês existem!



Escrito por Vera Nunes às 09h22
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