Ontem, assisti ao filme “Para Sempre Alice”, e fiquei profundamente tocada com a história.

Tive que esperar um tempo até poder sair da sala de projeção ao final do filme, um tempo necessário para que minhas lágrimas parassem de correr, para que eu me recuperasse um pouco do impacto das lembranças de minha própria experiência.

Lembrei do que vivi com meu pai, que se foi por conta do Alzheimer. Lembrei da dor imensa, das dúvidas, das noites em claro, da minha cabeça girando, dos momentos de angústia e impotência.

A doença vai levando a pessoa embora aos poucos – como o filme mostra - vai tirando quem a gente ama de cena, dia a dia, minuto a minuto. É algo dramático, que deixa a gente de mãos vazias e sem saber o que fazer.

Lembrei da memória de meu pai se apagando, de sua voz sumindo até desaparecer por completo, de quando ele começou a não mais me reconhecer, de quando me olhava sem saber que ali estava sua filha, e de alguns preciosos instantes em que o Alzheimer lhe dava uns poucos segundos de trégua, e eu o via me reconhecer rapidamente, e me olhar com um ar de puro espanto, abrindo um sorriso breve, com um resto de brilho no olhar.

Eu suspendia minha respiração nesses raros instantes, porque sabia que ali estava de volta meu pai, meu velho pai e seu amor de sempre.  Ele enchia os olhos de lágrimas e me olhava profundamente, enquanto apertava minha mão com o fio de força que lhe restava.

Isso durava apenas alguns segundos e, de repente, como num passe de mágica, ele ia embora novamente. Seu olhar perdido voltava, e o que sobrava era só meu coração aos pedaços.

Um dia, ele não falou mais, nem sequer me olhou mais, e o brilho se apagou de seus olhos, embora seu coração ainda batesse. O Alzheimer o havia levado para longe e, a partir daí, só me restava ficar ao lado dele, beijando sua mão, afagando seus cabelos de neve, ou cantando baixinho, na esperança de que ele ao menos me ouvisse.

Eu sentia uma solidão imensa dentro do peito, mas foi isso o que fiz até seu último dia de vida.

Um dia, meu pai fechou os olhos para sempre, e gosto de pensar que ali ele se libertou.

 

O Alzheimer o levou embora, mas uma coisa é certa... Ele pode levar as lembranças, a força e até a vida, mas não é capaz de levar o amor.



Escrito por Vera Nunes às 12h15
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          Foto 1: Capacitação para educadores do "Núcleo Educacional da Santa Casa de Diadema" - SP.

          Foto 2: Palestra para educadores, coordenadores pedagógicos e diretores de escolas no auditório da "TV Gazeta" - Vitória - ES.

          Foto 3: Palestra no auditório da "Livraria Cultura" - Shopping Bourbon - São Paulo - SP.

 

                                       

 

          Foto 1: Lançamento do livro "O Papel das Emoções na Educação" - 2009 - Livraria Cultura - Conjunto Nacional - São Paulo - SP.

          Foto 2: Palestra para pais na "AERT" - Vitória - ES.

          Foto 3: Palestra para educadores no auditório da "TV Gazeta" - Vitória - ES.

 




Escrito por Vera Nunes às 15h07
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Perdão, Juba!

          Ontem soube que o leão Juba se foi...

          Essa história tocou profundamente meu coração, e me emocionei ao saber que ele havia falecido, muito doente, sem poder mais sequer andar, se levantar ou mesmo se alimentar.

          Juba foi um leão terrivelmente maltratado em vida. O circo onde ele vivia e era constantemente judiado foi desativado, e ele e mais duas leoas foram deixados para trás.

          As leoas, no entanto, foram logo adotadas por dois zoos, mas Juba foi considerado "fora dos padrões" e, portanto, não foi aceito por nenhum zoológico ou instituição.

          Juba era considerado feio, sem atrativos e, por esse exato motivo, foi descartado. Ninguém, no entanto, foi capaz de levar em consideração que aquele animal estava naquelas condições deploráveis justamente porque foi alvo da perversidade de quem deveria cuidar dele.

          Quando vi a reportagem sobre Juba ano passado fiquei com o coração aos pedaços, vendo um animal tão sofrido. Ele estava absurdamente magro, com as costelas à mostra, a pele muito machucada, apresentava manchas e marcas espalhadas pelo corpo todo e vários dentes haviam sido arrancados.

          Juba tinha uma aura de dor, andava lentamente, cambaleante, e com a cabeça sempre baixa, numa postura de submissão. O que mais me impressionou foi o olhar de Juba, que parecia ser um misto de medo, desconfiança e sofrimento.

          Não pude conter as lágrimas ao ver aquela reportagem.

          Fiquei olhando a tv, em silêncio, e me perguntando como alguns seres que se consideram humanos podem fazer tamanha maldade?

          Como puderam submeter aquele animal a tamanho sofrimento e dor?

          Juba carregou as marcas do que a crueldade humana é capaz de fazer, e nos últimos tempos não conseguia mais sequer engolir água ou alimentos. Juba era cego de um olho, uma das muitas sequelas deixadas após ser submetido a anos e anos de maus tratos.

          Ontem li a matéria sobre sua morte, e mais um nó se formou em minha garganta. Uma das pessoas que fizeram comentários a respeito da reportagem escreveu apenas: "Perdão, Juba. Vergonha", e esta frase curta descreveu bem meu sentimento.

          Sinto vergonha de pessoas que não têm um pingo de compaixão, nem com animais, nem com outros seres humanos. Sinto vergonha por ter visto aquele leão trôpego, doente, sentindo dores, indefeso, vítima da crueldade humana.

          Sinto vergonha por aqueles que perderam ou estão perdendo o senso de humanidade, de compaixão, de respeito.

          Perdão, Juba.

          Deixo aqui minha gratidão e respeito a todas as pessoas que participaram da campanha para ajudar Juba e, principalmente, aos anjos da guarda da ONG Mata Ciliar, de Jundiaí, que finalmente conseguiram resgatar e acolher Juba, proporcionando a ele todos os cuidados necessários, como alimentação, tratamento, dignidade e carinho.

          Quando a gente está prestes a perder a fé na humanidade, surgem pessoas como as da Mata Ciliar, e tudo volta a fazer sentido novamente.

          Que bom que vocês existem!



Escrito por Vera Nunes às 09h22
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Adeus, grande Madiba!

          O mundo hoje amanheceu mais triste e mais pobre...

          Nelson Rolihlahla Mandela se foi no dia de ontem, deixando a todos nós com um estranho e profundo sentimento de perda.

          Que ele esteja agora com aquele sorriso sereno no rosto, experimentando a liberdade que tanto sonhou e mereceu.

          A ele, uma prece, uma reverência, e um MUITO OBRIGADO pela sua coragem, equilíbrio, força e ternura, e por ter feito toda a diferença em sua passagem por este mundo!

 



Escrito por Vera Nunes às 12h46
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          Vera Nunes é psicóloga clínica e institucional, ludoterapeuta, pós-graduada em Psicologia Médica e Psicossomática, consultora e palestrante.

          Atua nas áreas da saúde e da educação, sempre com foco nas relações humanas, na saúde mental e no desenvolvimento emocional.

          Autora dos livros "Pra Gente Grande Entender Melhor a Criança" e "O Papel das Emoções na Educação", ambos publicados pela Editora Casa do Psicólogo.

 

          Contato para palestras e capacitações em escolas e instituições:

nunes-vera@uol.com.br



Escrito por Vera Nunes às 17h49
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O Papel da Afetividade na Escola - Vera Nunes


          O afeto é essencial para a formação da personalidade e do caráter, e é elemento importante para ajudar a criança a compreender melhor suas próprias emoções.

          A afetividade deve ser prática cotidiana na vida do educador, pois, a aceitação do aluno e o apoio a ele facilitam o caminho na direção do sucesso dos objetivos educativos, fazendo com que o conhecimento chegue a ele de forma mais envolvente, causando efeito impactante e positivo.

          A escola ideal é aquela que atua como agente socializador, que possibilita a expansão de talentos e potencialidades, ao mesmo tempo em que acolhe, inclui e integra pessoas.

          É papel dessa nova escola também educar o afeto, trabalhando as emoções da criança de modo inteligente, cultivando as boas relações e fazendo-a se desenvolver de forma integral.

          O educador consciente exerce seu poder com clareza de objetivos, com equilíbrio e discernimento, e o faz no intuito de contribuir para que a escola seja uma instituição motivadora, pronta a formar indivíduos inteiros, conscientes e civilizados, combinando elementos que os auxiliará tanto na escola quanto fora dela. Assim, formar crianças mais sadias emocionalmente e capazes de aprender legitima o papel da escola de qualidade.

          Nesta nova escola, saber e afeto coexistem em harmonia.  

          Educar com sensibilidade é estratégia mais que inteligente e humanizada, é também fonte de possibilidades reais para o crescimento da criança, pois, viver numa sociedade que frequentemente quebra as regras exige a formação de cidadãos conscientes, que aprendam na infância valores indispensáveis à vida em sociedade, legitimando seu lugar no mundo.

          O bom educador participa deste processo incentivando a criança a desenvolver seus talentos, direcionando seus impulsos para ações criativas, formando com seu aluno um vínculo saudável e produtivo.

          Trabalhar com crianças  demanda sensibilidade e capacidade de observação, acolhimento e autoridade equilibrada, compreendendo sempre que criança também sofre de insegurança, ansiedade, vergonha, medo, falta de perscpectiva, angústia...

          Portanto, vamos permitir essa importante e fundamental troca em sala de aula, observando as necessidades da criança, respeitando seu ritmo, incentivando-a a conviver em grupo e a dar valor a si mesma e ao próximo.


 



Escrito por Vera Nunes às 17h35
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À venda nas melhores livrarias, ou através do site:

www.casadopsicologo.com.br

*Também no formato e-book



Escrito por Vera Nunes às 16h21
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"O melhor indicador do caráter de uma pessoa é como ela trata as pessoas que não podem lhe trazer benefício algum" - Abigail Van Buren



Escrito por Vera Nunes às 11h24
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Betty Faria, Leblon, RJ. Ano 2013, séc. XXI

          A atriz Betty Faria, de 72 anos, foi à praia semana passada usando um biquini.

          Bastou este gesto simples, de quem está apenas curtindo um dia de sol, exercendo sua liberdade, para que seu Twitter começasse a bombar, com os mais diversos tipos de comentários sobre ela.

          Infelizmente, em sua esmagadora maioria, comentários maldosos. Aliás, a expressão certa talvez nem seja esta: na verdade, eram comentários crueis.

          Bastou que Betty Faria exercesse sua liberdade de se mostrar como bem tem direito, para que um bando de imbecis - estrategicamente escondidos atrás da capa das redes sociais - passasse a desrespeitá-la de todas as formas.

          Pessoas assim demonstram com isso a baixeza de seu caráter, depreciando a atriz, como se fosse um insulto usar um biquini nesta idade.

          Meu Deus, que gente é essa?

          Que tempos são esses em que apenas a magreza, a beleza irretocável e a juventude têm vez?

          Betty Faria foi ofendida de todas as maneiras possíveis, recebeu todo tipo de grosseria, de preconceito e foi alvo – sem dó nem piedade - de demonstrações do tanto de maldade e maledicência certas pessoas são capazes.

          Betty Faria tem 72 anos. Então, o processo natural de envelhecimento se transformou numa anomalia?

          Vivemos num tempo em que é proibido envelhecer, em que é uma ofensa ter alguns quilos a mais ou rugas, tempos em que não temos mais o direito de sermos apenas quem somos?

          Agora virou moda apontar o dedo, rir do outro e escancarar o verbo por trás da barreira que a internet impõe. Essas pessoas ofendem, jogam suas pedras, destilam seu veneno e se escondem, como costumam mesmo fazer os covardes.

          Sem o olho no olho fica fácil, pessoas obtusas! Será que vocês ganham algo agindo assim, com escárnio e pequenez?

          Não é mais suficiente cuidar da aparência de maneira natural, como gostamos de fazer. É preciso estender a adolescência o máximo possível, nem que para isso você tenha que se sacrificar, sempre se submetendo ao crivo dos que reprovam quem não se encaixa nos ditos "padrões".

          O bonito hoje é que a adolescência dure muito, moldando adultos infantilizados, correndo sôfregos atrás de uma juventude que não pode de forma alguma ir embora.

          Lembrei agora que dia desses ouvi um VJ da MTV dizendo a seguinte pérola: “gente bonita não devia jamais namorar gente feia”. Sua companheira de programa riu como uma hiena ao ouvir essa brilhante afirmação, talvez achando isso a mais pura verdade da face da Terra.

          Penso mais uma vez sobre onde foi parar o bom senso de quem contrata idiotas como esses para apresentarem um programa na tv, principalmente direcionado a jovens.

          Meu Deus, que tempos são esses? Que gente é essa?

          A sociedade passou a supervalorizar o corpo, a pele que não aceita nenhum tipo de imperfeição, criando um sem número de pessoas angustiadas, tristes, mortificadas e se sentindo excluídas, caso não se encaixem nesses padrões.

          Infelizmente, se olhar no espelho e se ver fora desse contexto pode gerar frustração, doenças mentais e físicas, depressão, vergonha e rejeição de si mesmo. Mas parece que isso não importa, porque ninguém quer ver quem sofre, preocupados que estão em endeusar a plástica perfeita de poucos.  

          Esse fato sobre Betty Faria me fez refletir sobre várias coisas importantes na vida...

          Quero muito que um dia as pessoas possam ser apenas quem são, cuidando de sua aparência e saúde sem neura, sem escravidão, sem a ditadura da eterna juventude. Que as pessoas possam ser felizes do jeito que são, sem essa loucura para tentar se encaixar nesse ou naquele padrão.

          Por favor, deixem os outros em paz! Vivam suas vidas e aprendam a olhar o outro com um pouco mais de humanidade, porque a gente nunca sabe o que se passa no coração de quem não se enquadra no que a sociedade e a moda impõem.

          A imbecilidade de pessoas como as que ofenderam Betty Faria no Twitter está longe de acabar, infelizmente. Fico só aqui pensando em como pessoas assim devem ser por dentro...

          Mas, lamentavelmente, chego  à conclusão de que elas parecem só mostrar mesmo uma coisa: que são dignas de pena, porque só conseguem sentir algum prazer humilhando o outro. A má notícia é que para corrigir falhas de caráter não há botox, academia, plástica ou creme milagroso que dê jeito.

          Que o bom senso impere, junto com a bondade, a sensatez, a humildade. Que as pessoas sejam mais compreensivas, com uma visão mais ampla de vida, valorizando o que realmente importa.

          Nada contra a beleza e a juventude, por favor, mas acho que esta é uma boa hora para refletirmos mais profundamente sobre temas como caráter, respeito e dignidade.

 



Escrito por Vera Nunes às 11h22
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          Olá!

          Em breve publicarei matérias novas aqui no meu blog.

          Como vocês podem ver, estive afastada por um bom tempo, por diversas razões e compromissos, mas logo retomaremos nosso contato.

          Espero que vocês voltem a me escrever também e me ajudem a divulgar o blog.

          Enquanto isso, passeiem por aqui e leiam as matérias mais antigas, porque há assuntos que nunca ficam velhos!

          Um abraço e até já.

          Vera Nunes



Escrito por Vera Nunes às 21h03
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          Excelente matéria, extraída do site: paraibaonline.com.br

          De 18 de dezembro de 2011.

          Vale MUITO a pena ler!

          Rossandro Klinjey
       * Psicólogo Clínico, mestre em Saúde Coletiva, professor das FACISA, FCM e Faculdade Boa Viagem.


Geração Ctrl C Ctrl V

          Fato da vida real para análise.
          Um professor da Universidade Federal da Paraíba, Leonardo Rosa Rhode, afirmou ter sido agredido pelo companheiro de uma aluna dentro de sala de aula, por tê-la reprovado ao identificar que trechos de sua monografia foram plagiados da internet. O docente fazia parte da banca de avaliação do trabalho de curso com outros dois professores.

           Como professor já lidei com situações de plágio. A aluna foi reprovada, fez parte dos eventos de formatura que já estavam programados, mas sem ter concluído o curso. Ela teve que retornar mais um semestre para apresentar sua monografia. Como professor homenageado da turma fui convidado para ministrar a aula da saudade. Lembro-me até hoje os semblantes de ódio dela e de seus pais durante toda a noite, sempre que meu olhar se cruzava com o deles. Fiquei constrangido como se fora eu que tivesse feito algo errado, mas depois da história do professor Leonardo, acho que ainda saí na vantagem.


           Um aluno certa vez me entregou um trabalho correspondente à nota do 3º estágio que superou tudo que eu já havia visto de cola da internet. Ele simplesmente usou o Ctrl C e Ctrl V e nem se deu ao trabalho de alterar a cor da fonte dos textos em que havia colado. Parte do texto era azul com tipologia Times New Roman, outra vermelha com tipologia Arial, e quando olhei, disse pra ele: - você está curtindo com a minha cara? Ele deu uma risadinha e me respondeu que o cartucho de tinta preta estava vazio, foi quando eu disse que minha caneta azul estava sem tinta, mas usaria a vermelha para dar um redondo zero!


           Eu pude perceber que muitos alunos partem da mítica idéia de que só eles têm acesso à internet. Que o novo oráculo da humanidade, o Google, seria um mistério para iniciados e que só eles teriam acesso, e que certamente professores, pessoas antigas e anacrônicas na visão deles, não usam computador. Ou ainda, que pegar um texto em inglês ou espanhol, jogar no tradutor do Google e de depois nos entregar, seria suficiente para burlar nossa capacidade de identificar plágio.


           O que chama atenção, tanto no meu caso, como no do professor Leonardo, é a posição dos parentes das... deixe eu ver como me refiro a elas... já sei, “vítimas”, sim, porque é assim que muitos alunos se sentem. Se não vejamos. Um companheiro que agride um professor por ter identificado plágio por parte de sua namorada se esquece de que esse comportamento, burla a regra e a tentativa de engano, revela traços de sua conduta que depois podem se voltar contra ele mesmo no relacionamento com ela. Fiquem livres para imaginar o que eu estou querendo dizer com isso.


           Do mesmo modo os pais de minha aluna, que deveriam ter ficado com vergonha da filha ao apoiarem a atitude dela e demonstrar raiva do professor, terminam por reforçar uma deficiência de caráter de uma filha que deveriam educar moralmente.


           Esses exemplos são só a ponta do iceberg. A incapacidade que muitos pais têm de educar e impor limites aos seus filhos culmina numa tragédia da educação brasileira, e do mundo ocidental como um todo, o desrespeito dos alunos com professores e consequentemente com o conhecimento. Não é toa que os países orientais, como China, Japão, Coréia do Sul e Índia, onde há um forte respeito dos filhos para com os pais e, consequentemente, para com os professores, têm assumindo a liderança econômica mundial, bem como a liderança nos testes de avaliação internacional como Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos).



           Para os pais um recado. Não se pode colar condutas, elas são construídas única e exclusivamente pelo exemplo.



           Para os meus colegas professores, um consolo. Quando um pai e uma mãe lhes hostilizar por tentar educar um filho que eles não souberam formar, lembre-se que aquele filho é deles e não seu, e que serão eles que terão que colher a amarga consequência do que estão plantando.


Escrito por Vera Nunes às 11h11
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Campanha de Natal

        Estas são algumas fotos da entrega dos brinquedos para as crianças da Creche Nova Conquista, em Diadema, São Paulo.

        O Papai Noel em pessoa - Carlos Serrão - foi visitar as crianças no dia 06/12/11 e levou presentes para todas elas. Vocês podem imaginar a alegria que tomou conta de todos?

        Foi uma tarde mágica, iluminada, que fez valer todo o esforço para completar esta primeira fase da nossa campanha de natal, que entra agora no sétimo ano.

        Nosso MUITO OBRIGADA a todas as pessoas que nos ajudaram, direta ou indiretamente, formando elos desta que consideramos a verdadeira "corrente do bem"!

        Que todos vocês tenham um FELIZ e ILUMINADO NATAL e que 2012 traga muitas surpresas boas, muita alegria, muita saúde, força e esperança a todos!

        Com todo o meu carinho:

        Vera Nunes



Escrito por Vera Nunes às 19h40
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Mais uma lágrima

 

        Todos os dias tomamos conhecimento ou mesmo somos personagens de incontáveis casos de acidentes, atropelamentos, desastres e mortes no trânsito.

        Muitas vezes, as histórias são tantas que é difícil nos lembrarmos direito das que aconteceram ontem ou anteontem, simplesmente porque os casos se multiplicam de maneira vertiginosamente veloz.

        O trânsito se transformou em mais um componente da guerra urbana em que vivemos. Deste modo, vidas vão sendo ceifadas, enquanto o perigo nos segue pelas ruas o tempo todo.

        Quando nos referimos ao trânsito, porém, parece que nos referimos a uma entidade sem rosto ou definição clara, um elemento que funciona separado de nós.

        No entanto, esta palavra tem a ver com pessoas, seres humanos dirigindo carros, no controle de um volante, aparentemente dotados de um mínimo de capacidade para realizar movimentos, agir com bom senso e responsabilidade e tomar decisões.

        O tal trânsito é composto por pessoas como eu e você, pessoas de carne e osso que podem a qualquer momento se ferir, sangrar, sofrer e morrer, mas também por pessoas que podem ferir alguém, fazer sofrer, fazer sangrar e matar.

        De um tempo para cá, casos de pessoas que bebem e dirigem se multiplicam alucinadamente nos noticiários, gente que não se incomoda de assumir um volante, literalmente arriscando que esta decisão aparentemente simples – na cabeça de quem não se importa – provoque mais uma tragédia.

        Pessoas que parecem não levar em consideração que o álcool deturpa o raciocínio, embota a razão, anuvia a visão e nos tira a capacidade de ter nossos reflexos em pleno funcionamento.

        Em muitos casos, vemos pessoas brincando com a situação, dizendo que “dirigem melhor” quando bebem, tratando com descaso a preocupação de muitos com o perigo a que o trânsito nos expõe o tempo todo, achando que são donas de suas vontades e que, portanto, têm o direito de arriscar suas vidas e a dos outros.

        As leis são frouxas e abrem brechas enormes para que pessoas que abusaram da bebida se recusem até mesmo a soprar o bafômetro, ou fujam do local de um acidente sem prestar socorro às vítimas. Basta apenas que quem causou o acidente se apresente no dia seguinte, preste um depoimento, e saia da delegacia pouco tempo depois, pela porta da frente, já que não houve “flagrante”.

        Assim, são estas as leis que deixam impunes pessoas irresponsáveis que destroem famílias inteiras.

        E com a morte logo ali, no asfalto, se vão histórias, sonhos, desejos, projetos de vida, planos...

        Pessoas que agem assim têm alguma consciência?

        Pensam em algo que não seja elas próprias?

        Que egoísmo monstruoso é esse que toma essas pessoas fazendo com que nem sequer pensem que ali na rua ou atrás da direção de outro carro venha um pai voltando para casa depois de um dia duro de trabalho, ou a garota alegre que foi com a mãe fazer compras, ou a criança que anda distraída, ou o jovem que sorri sozinho enquanto caminha, com a cabeça cheia de planos?

        Até quando vamos ver pessoas que perderam seus entes queridos chorando, com o rosto em close na tela da TV, mostrando toda sua dor e vulnerabilidade, clamando por justiça, impotentes diante das tragédias?

        A palavra que mais se ouve saindo da boca de quem perde seres amados é “justiça”. E o que mais dizer numa hora de dor assim?

        Se a gente pensar, não vai encontrar outra palavra que a substitua...

        Junto ao pedido por justiça vem um grito abafado de socorro, de tristeza, de indignação, de incredulidade, de pesar, de luto, de ajuda. Clamar por ela é o máximo que conseguimos fazer quando a dor leva embora nossa força!

        As campanhas pela direção consciente estão por toda parte.

        Todo cidadão mais atento sabe, sim, que álcool e direção não combinam - como diz a campanha publicitária - mas todos os esforços parecem ainda insuficientes para sensibilizar quem não se importa nem um pouco com a ideia de que agindo assim, pode provocar um acidente e matar alguém.

        Talvez o pensamento de uma pessoa que age dessa maneira seja o de que tragédias só acontecem com o outro, que a morte só leva os entes queridos do vizinho, que nada de ruim vai acontecer se ela se embriagar e dirigir...

        Penso que qualquer pessoa que costuma agir de modo totalmente irresponsável no trânsito, sem se importar com o mal que possa causar, deve também pensar algo assim, diante da notícia de mais uma tragédia: “Tudo bem, afinal de contas, não foi comigo nem com ninguém da minha família mesmo!”

        E assim, cada dia mais lágrimas são derramadas por quem perde alguém querido desta forma, e elas continuam a brotar porque ainda existem por aí pessoas egoístas, que brincam com a vida, que simplesmente não acham nada demais se embriagar e sair por aí dirigindo um automóvel, enquanto qualquer um de nós pode ser o próximo alvo. Afinal, o que é que tem?

        Tem que seres humanos estão se acidentando e morrendo.

        Tem que o trânsito de nosso país mata muito mais do que muitas guerras pelo mundo.

        Tem que quem fica tem que passar pelo doloroso processo de reaprender a viver sem seus entes queridos.

        Tem que essas pessoas que se foram tinham família, sonhos, projetos e uma vida pela frente, não importa que idade tivessem quando se foram.

        E agora?

        Quem tem um pingo de consciência precisa ajudar a sensibilizar outras pessoas, jovens, crianças, adultos, para que a corrente do bem se estenda, fazendo com que, um dia, a gente possa ter um bocado a mais de paz e de segurança.

        Mesmo que as notícias absurdas e cruéis nos tirem a força muitas vezes, vale a pena cada gesto de bondade, de ajuda, de esforço para que este quadro terrível mude.

        Estamos o tempo todo nos movimentando pelas ruas de nossas cidades, dirigindo carros, dentro de ônibus, metrôs, pedalando, caminhando e, portanto, cada um de nós é responsável por uma parcela do trânsito.

        A responsabilidade não está só nas mãos do outro, mas nas nossas também, e é por este exato motivo que cada perda é um pedaço de cada um de nós que se vai, queiramos admitir isso ou não.

        Portanto, vamos todos lutar pela vida, gente!

        E quem sabe chegue o dia em que as lágrimas sejam mais de alegria que de dor?



Escrito por Vera Nunes às 16h40
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Imagem é tudo?

 

     Vivemos um tempo confuso, onde valores humanos importantes têm sido constantemente deixados de lado.

     Vivemos um tempo meio sem identidade, que supervaloriza a “imagem”, a marca, a etiqueta, o invólucro. Tempo em que em muitos contextos, ter significa muito mais do que ser.

     Hoje a mídia esbanja produtos especialmente elaborados para atingir em cheio o público infantil, funcionando como um verdadeiro canto de sereia, atraindo os olhos e a atenção dos pequenos para tênis, roupas, celulares, maquiagem e uma infinidade de objetos e acessórios de todos os tipos.

     Mas vamos parar este alucinado carrossel por um momento e pensar um pouco: será que não é hora de revermos alguns conceitos?

     Será que vale qualquer coisa que faça crianças, pré-adolescentes e adolescentes serem tragados pela espiral do consumo desenfreado, fazendo-os entrar na fila de zumbis modernos que adotam para si o espírito de manada?

     Nada contra, absolutamente, a garotinha que quer ficar bonita numa roupa legal, ou o garoto que quer ter um acessório bacana. 

     O sinal amarelo acende quando percebemos que isso passa a ser o centro da vida deles, chegando a substituir brincadeiras, passando a ser o foco principal de suas conversas e de seu comportamento.

     Se o princípio se torna esse, é de se supor que muitas crianças e adolescentes passem a discriminar quem não anda na moda ou não possui esse ou aquele objeto.

     E isso é grave, muito grave.

     Assim sendo, uma nova geração de pessoas preconceituosas vai se formando, mais uma leva enorme de pessoas que olham as outras de cima a baixo, segregando quem não possui o mesmo status, como vemos com mais frequência do que gostaríamos. 

     Quando nos damos conta de que crianças e adolescentes já se portam como se não existisse vida longe do que é moda, algo precisa ser seriamente reavaliado.

     E digo isso não só em relação ao que a mídia veicula, mas também sobre a maneira como inúmeros pais e responsáveis estimulam esse consumo, se desdobrando para dar aos filhos tudo o que lhes é possível, sem conseguir dizer um não que coloque limites sadios e sensatos na vida de crianças e adolescentes deslumbrados pelo vasto e atraente cenário consumista.

     Há algum tempo li numa revista de circulação nacional uma matéria que tratava justamente deste tema.

     Abaixo da foto de uma mulher e uma menininha, no enorme e super bem abastecido closet de sua casa, a frase: “Minha filha dá escândalo se compro alguma roupa que seja de grife diferente das que ela gosta, ela tem muita personalidade”.

     A idade da garotinha? Três anos.

     Consumo não pode valer como palavra de ordem, gente. Ele deve ser sensato, pensado e os pequenos precisam aprender isso desde cedo.

     No universo do consumo sem critérios o que é moda hoje, mês ou semana que vem já virou velho e deve ser facilmente substituível. Já não é mais fashion usar ou ter aquilo porque já surgiu algo mais novo, realimentando esse vertiginoso e insaciável mundo paralelo.

     Quase tudo virou descartável e precisamos estar muito atentos para que isso não aconteça também com nossos afetos, com as relações humanas.

     Agora olhe as fotos acima.

     O nome desta menina linda é Thylane Lena Rose Blondeau, em poses para a capa de uma famosa revista de moda. Ela tem 10 anos e trabalha como modelo desde os 4 anos.

     A beleza dela ninguém discute, isso é óbvio. O que devemos pensar é que se trata de uma garotinha de apenas 10 anos usando roupas provocantes, com ar sexy, vestida com peles e adereços que já pesariam numa modelo adulta.

     Prestem bem atenção: Thylane tem 10 anos.

     O que sugiro com este texto é apenas uma reflexão.

     Não pretendo levantar bandeira alguma aqui. Quero apenas jogar uma interrogação no ar, pra que a gente não perca o fio do que é realmente importante para que uma criança cresça de modo emocionalmente saudável.

     Já está mais do que na hora de ensinarmos às crianças e adolescentes que é legal ser bonito fisicamente, mas que esta condição não se sustenta sozinha.

     É preciso ser decente, ter respeito pelas pessoas e por si mesmo, ser amigo, ter bom coração. Principalmente, é preciso que ensinemos a eles que as pessoas, na verdade, devem valer pelo que são, e não pelo que conseguem e podem comprar.

     Só assim vamos dar a eles o maior tesouro dessa vida: crianças e adolescentes crescendo com a cabeça boa, livres da prisão que o consumo sem critérios vai criando em torno dos que se deixam levar por ele.

     É claro que é legal ficar mais bonito, arrumado, perfumado, quem não gosta? Mas tudo isso não é nada, se pensarmos que uma linda casca pode estar cobrindo alguém vazio por dentro.                  

                                                                                                                            Vera Nunes  



Escrito por Vera Nunes às 12h03
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Novidade!

Os dois títulos acima: "Pra Gente Grande Entender Melhor a Criança" - 2003/ 2ª Edição - e "O Papel das Emoções na Educação" - 2009 - de autoria de Vera Nunes acabam de ser lançados no formato "e-book".

Para mais informações, acesse o site:

www.casadopsicologo.com.br

Atenção!

Vera Nunes ministra palestras e cursos em escolas, empresas e instituições sobre estes e outros temas.

Informações:

nunes-vera@uol.com.br

 

 



Escrito por Vera Nunes às 08h56
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